Setor de tecnologia ultrapassa 152 mil demissões em 2026 e IA aparece como motivo em 60% dos cortes
Empresas americanas respondem por aproximadamente 116 mil das demissões, mais de 80% do total global registrado no setor.
Analistas apontam que, embora muitas empresas apresentem a IA como razão principal, decisões de gestão voltadas para eficiência e redução de custos também impulsionam os cortes.
O funcionário da Meta que expôs caos causado pela IA
Durante uma apresentação interna transmitida ao vivo para funcionários, um deles abriu o microfone e declarou que se sentia como “o capacho da empresa”. Em seguida, pediu que quem organizava a chamada dissesse a um executivo sênior da Meta que ele “é uma merda”. Um apresentador cobriu o rosto com as mãos. Segundo a Wired, o funcionário fazia parte do Applied AI, departamento que engenheiros já descrevem como “literalmente o gulag”.
Em abril de 2026, a Meta anunciou a demissão de 8 mil funcionários e o encerramento de 6 mil vagas abertas. Em maio, iniciou os desligamentos e realocou outros 7 mil para novos departamentos. Das 7 mil pessoas realocadas, 6.500 foram para o Applied AI. O trabalho: criar quebra-cabeças e problemas de codificação para treinar modelos de IA. A maioria era engenheira ou gerente de produto que antes desenvolvia software. Recusar significava ir embora.
Mark Zuckerberg enviou um memorando interno enquadrando o trabalho como temporário: “O trabalho é fundamental para o avanço dos nossos modelos e permite que pessoas com muito talento contribuam para esses esforços, ao mesmo tempo em que criamos outros cargos nos próximos meses.”.
No primeiro trimestre de 2026, a Meta perdeu 20 milhões de usuários ativos diários. A empresa atribuiu a queda a bloqueios ao WhatsApp na Rússia e interrupções de internet no Irã. A projeção de investimentos para 2026 subiu para entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, US$ 10 bilhões a mais que a previsão anterior. Em abril, a Meta fechou contrato de US$ 21 bilhões com a CoreWeave para computação em nuvem, somado a um acordo anterior de US$ 14,2 bilhões firmado em setembro de 2025. Os 8 mil cortes foram justificados pela diretora de RH Janelle Gale como parte do esforço para “administrar a empresa de forma mais eficiente e compensar outros investimentos”.
A mudança de comportamento em meio ao temor do avanço da IA
Medo da demissão e pressão: trabalhadores abrem mão do descanso para provar que são melhores que a IA, revela pesquisa
O avanço da IA e as demissões mudaram o comportamento de quem ficou. Uma pesquisa da Resume.io com 3.000 profissionais mostra que trabalhadores dedicam em média 2 horas e 24 minutos a mais por semana, o equivalente a 125 horas extras anuais. O movimento é uma tentativa de se manter visível em um ambiente crescentemente automatizado.
Nos escritórios e no trabalho remoto, os padrões se repetem: mensagens respondidas fora do expediente, pausas mais curtas e tarefas adicionais sem registro formal no contrato. Para 55% dos entrevistados pela Resume.io, o horário de almoço encolheu no último ano. Outros 67% admitem o chamado “teatro da produtividade”: manter o status online, alongar pequenas tarefas e reagir a cada notificação como se fosse urgente
Entre os entrevistados, 34% acreditam que perderão o emprego diretamente para a IA; 30% temem uma substituição gradual; e 20% receiam que a automação sirva de justificativa para aumentar a cobrança de metas. Um em cada sete participantes declarou preocupação com a própria defasagem técnica diante de colegas mais adaptados às novas ferramentas.
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