Apple, Google e até a NVIDIA estão de olho na Intel para fugir da dependência da TSMC
UM Informações pode estar prestes a virar uma alternativa real para quem hoje depende quase que exclusivamente da TSMC. Segundo um relatório da corretora GF Securities Hong Kong, gigantes como Maçã, Google e Broadcom já demonstraram interesse nas capacidades de fabricação e encapsulamento de chips da empresa americana. Se os planos se concretizarem, a Intel deixaria de ser apenas fabricante dos próprios processadores e entraria de vez no jogo das foundries — as fábricas que produzem chips para terceiros.
O movimento faz sentido. Hoje, praticamente todos os chips de alta performance do mundo saem das linhas de produção da TSMC, em Taiwan. Isso cria um risco enorme: qualquer problema geopolítico, desastre natural ou gargalo de produção ali afeta todo o setor. Ter a Intel como segunda opção viável muda esse jogo.
O que está na mesa

De acordo com o levantamento da GF Securities, a Apple estaria avaliando os processos 18A-P e 14A da Intel, além da tecnologia de encapsulamento EMIB (Embedded Multi-die Interconnect Bridge), para um chip mobile — provavelmente um futuro SoC da linha A — e um ASIC ainda não detalhado. A Google, por sua vez, planeja usar essas mesmas tecnologias na próxima geração dos seus TPUs, os processadores voltados para inteligência artificial que alimentam boa parte dos serviços da empresa.
Há ainda rumores de que AMD e Nvidia estariam estudando o processo 14A para chips de servidor. Mas aqui o cenário é mais nebuloso. O próprio relatório usa uma linguagem cautelosa: “esperamos provável interação”, o que indica que nada está fechado.
Intel ainda não tem clientes de verdade
Apesar do burburinho, a divisão de foundry da Intel segue praticamente vazia. Até agora, ela só fabrica chips para a própria empresa. Os processores Panther Lake, que devem chegar em breve, usarão o 18A em parte da produção. Já a linha Nova Lake deve apostar ainda mais pesado nesse processo.
O problema é que o 14A, tecnologia que interessa aos possíveis novos clientes, ainda está longe de estar pronto para produção comercial. Mesmo que todos os contratos saiam do papel, o impacto financeiro no curto prazo será pequeno. Mas no médio e longo prazo, a história muda. Trazer clientes externos pode ajudar a reduzir o rombo da divisão de foundry, que até hoje só dá prejuízo.
Segundo a GF Securities, o yield — a taxa de chips funcionais que saem da linha de produção — dos Panther Lake estava entre 60% e 65% em novembro de 2025. A meta da Intel é chegar a 70% até o fim do ano. São números ainda distantes do ideal, mas dentro do esperado para um processo novo.
A dependência da TSMC não é só um problema logístico. É um risco estratégico. Se a Intel conseguir entregar processos competitivos e atrair clientes de peso, o setor inteiro ganha uma camada extra de segurança. E para a própria Intel, seria uma virada de mesa depois de anos patinando no mercado de foundries.
Acesse agora a Loja Podicas no Mercado Livre e descubra produtos incríveis para o dia a dia.

