Diretor da Cisbra avalia que aumento do imposto de importação tem impacto limitado no curto prazo, mas pode frear inovação se permanecer
Arno Gleisner, diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra), disse em entrevista ao UOL que os reajustes no Imposto de Importação aprovados pelo governo federal não vão gerar pressão relevante sobre preços ao consumidor nem travar importações.
A leitura de Gleisner parte dos números da Resolução Gecex nº 852. Uma faixa de produtos sobe de 0% para 7,6%; outra, de 7,6% para 20%. Gleisner avalia que nenhuma dessas variações é alta o suficiente para o importador brasileiro deixar de comprar os produtos no exterior.

A lógica defensiva tem limite de tempo
O diretor da Cisbra aceita a lógica da medida no curto prazo. O governo enquadrou o aumento como proteção para setores industriais que perderam espaço para o importado — as importações de bens de tecnologia cresceram 33% desde 2022, chegando a mais de 45% do consumo nacional nesses segmentos. Dentro desse contexto, Gleisner classifica a tarifa como justificável e defensiva.
O problema, na avaliação dele, começa quando a medida deixa de ser temporária. Tarifas de importação altas no longo prazo tiram da indústria nacional o incentivo para buscar eficiência e inovar. O argumento de Gleisner é que o governo deveria buscar equilíbrio fiscal cortando despesas, não subindo impostos, e que essa distinção muda tudo quando se fala em competitividade de prazo longo.
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“Nós entendemos que, no curto prazo, é uma medida que pode ser entendida como defensiva e até justificada. No longo prazo, não. No longo prazo, nós entendemos que o governo deveria buscar o seu equilíbrio fiscal de outra forma, reduzindo despesas e não aumentando impostos”, afirmou Gleisner.
Sem prazo de encerramento na resolução
A Resolução Gecex nº 852 não define data de vigência. Gleisner reconhece isso como um ponto de atenção, mas pondera que a pressão de mercado deve forçar uma redução das alíquotas mais cedo ou mais tarde. Ele também coloca o Brasil em perspectiva internacional: as novas tarifas não estão fora do que outras economias praticam, o que retira parte do argumento de que a medida seja isolada ou desproporcional.
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