Globo vai à Justiça contra operadoras de IPTV pirata depois de acumular R$ 500 milhões em prejuízo só no Premiere
Quatro em cada cinco pessoas que assistem ao Premiere num sábado de Brasileirão não pagam um centavo por isso. O número veio do próprio Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globoem abril de 2025 e, desde então, a emissora transformou esse dado em argumento judicial.
A ofensiva começou com cinco processos contra operadoras que revendem sinal pirata via IPTV: Flix TV, Control Lip TV, Flix Play, Nordeste IPTV. Os pacotes variam entre R$ 25 e R$ 35 por mês e chegam a prometer 2.000 canais, GloboNews, SporTV, Premiere, mais o catálogo de streaming de meio mundo empacotado num único aplicativo.
O caso mais avançado é o do Flix TV. A Globo rastreou o responsável, e ele foi condenado em primeira instância a pagar R$ 20 mil por violação de direitos autorais, cabe recurso. O serviço cobrava R$ 29 mensais por 1.500 canais. Para ter o Premiere oficial, o assinante desembolsa valor bem acima disso. A desproporção não é acidental: é o modelo.
O Control Lip TV teve destino mais drástico. A Justiça autorizou a retirada da página do ar e abriu investigação para localizar os responsávei, que, até o fechamento desta apuração, ainda não foram encontrados. A Flix Play operava de forma diferente: usava perfis de grande alcance no X para vender os pacotes, delegando a distribuição para influenciadores da pirataria. A Globo pediu a suspensão dessas contas à plataforma por violação das regras do serviço. O caso ainda não foi julgado.
Já a Nordeste IPTV tem página ativa com mais de 35 mil seguidores e anuncia 2.000 canais por R$ 25 mensais. A Globo pediu bloqueio dos anúncios e indenização de R$ 100 mil.
O IPTV em si não é ilegal, o próprio Globoplay é, tecnicamente, uma transmissão via protocolo de internet. O crime começa quando o sinal é capturado de uma fonte paga e redistribuído sem autorização, geralmente via TV Box ou aplicativo avulso. O Premiere tem hoje 2,5 milhões de assinantes, gerando cerca de R$ 750 milhões por temporada. Sem a pirataria, segundo as próprias projeções da empresa, esse número ultrapassaria R$ 1 bilhão. O rombo de R$ 500 milhões é o que separa os dois cenários.
Derrubar uma operadora não é simples. Muitas funcionam com infraestrutura distribuída em vários países, o que torna a execução das decisões judiciais brasileiras um processo de meses ou anos, às vezes mais.
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