“Jairu”: USP inaugura o maior cluster de IA da América Latina com 96 GPUs NVIDIA Blackwell B200

“Jairu”: USP inaugura o maior cluster de IA da América Latina com 96 GPUs NVIDIA Blackwell B200


A infraestrutura de pesquisa científica do Brasil acaba de dar um salto quântico. O Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina da Universidade de São Paulo (CIAAM-USP) inaugurou oficialmente o Jairu, um novo supercomputador que chega com o título de sistema mais poderoso da América Latina baseado na novíssima arquitetura NVIDIA Blackwell.

Fruto de um investimento de R$ 40 milhões e de uma complexa engenharia logística e técnica, o projeto é o resultado da união de forças entre a Scherm Brasil, a NVIDIA e a Positivo Servers & Solutions. O objetivo é claro: transformar a USP em uma “IA Factory” (Fábrica de IA), capaz de processar Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) e simulações científicas complexas em solo nacional.

Ó hardware

O cluster não utiliza hardware de gerações passadas; ele já nasce equipado com o que há de mais moderno no vale do silício. O coração do sistema é composto por 96 GPUs NVIDIA Blackwell B200. Arquitetura Blackwell sucede a Hopper (H100) e oferece um salto massivo em desempenho para inferência e treinamento de IA, com larguras de banda de memória que desafiam os limites da física atual.

A infraestrutura foi montada sobre servidores da Supermicro (fornecidos pela Positivo Servers & Solutions) e está dividida da seguinte forma:

  • 12 Nós de Computação (GPU Nodes): Cada um configurado no padrão HGX, contendo 8 GPUs NVIDIA B200 SXM-5 interligadas via NVLink. É aqui que o trabalho pesado de IA acontece.

  • 5 Head Nodes: Servidores responsáveis pela orquestração e gerenciamento do cluster, equipados com processadores AMD EPYC de alta contagem de núcleos e grande capacidade de memória RAM.

  • Para garantir que essas 96 GPUs conversem entre si sem gargalos, o sistema utiliza uma combinação de Ethernet (200 Gb/s) e a tecnologia InfiniBand NDR, que atinge velocidades de transferência de até 800 Gb/s. Isso garante latência ultrabaixa, essencial para treinamento de modelos distribuídos.

Armazenamento e software

Potência de processamento é inútil sem dados rápidos. Por isso, o Jairu conta com um sistema de armazenamento paralelo BeeGFS com cerca de 300 TB úteis. Este storage é suportado por servidores dedicados e unidades JBOD NVMe de alta densidade. Diferente de SSDs comuns, essa configuração permite um I/O (Input/Output) massivo, evitando que as GPUs fiquem ociosas esperando por dados.

No lado do software, o cluster roda o NVIDIA AI Enterprise, incluindo o Gerenciador de Comando Base. Essa suíte permite que os pesquisadores da USP submetam jobs de treinamento de Deep Learning de forma orquestrada, com controle de filas e isolamento de usuários, garantindo que o recurso seja utilizado de forma eficiente por múltiplos departamentos simultaneamente.

Uma operação de Guerra

A aquisição do Jairu envolveu um processo de licitação onde a Scherm Brasil saiu vencedora, combinando a melhor capacidade técnica com o menor preço. O processo de importação direta dos Estados Unidos e a montagem na Cidade Universitária foram realizados em tempo recorde: o equipamento estava pronto para operar apenas 30 dias após a assinatura do contrato.

A Positivo Servers & Solutions, braço da Positivo Tecnologia e concessionária oficial da Supermicro no Brasil, foi peça-chave na viabilização do hardware. A empresa já possui um histórico robusto na supercomputação brasileira, tendo participado da entrega dos supercomputadores Pégaso (2022) e Dragão (2020), além dos sistemas Atlas e Fênix em parceria com a Atos. “A colaboração com a Supermicro, a NVIDIA e parceiros locais sustenta a nossa posição de liderança. Fabricamos localmente, com tecnologia de ponta e eficiência energética”destacou Silvio Ferraz de Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions.

Impacto na Ciência Brasileira

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Para a USP, o Jairu não é apenas um computador rápido; é uma ferramenta de soberania. Fabio G. Cozman, coordenador do CIAAM-USP, ressalta que a máquina permitirá “desenvolver grandes modelos e aprofundar pesquisas relevantes para o contexto brasileiro”. Isso significa que o Brasil poderá treinar suas próprias IAs generativas, realizar simulações climáticas locais e avançar em áreas como genômica e descoberta de novos materiais sem depender exclusivamente de nuvens estrangeiras.

Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina, reforça o papel educacional do projeto: “Todo o potencial de avanço científico que a IA trouxe começou na formação de profissionais capacitados. Estamos garantindo um futuro mais brilhante para inúmeras áreas do conhecimento”.

Com o Jairu operando, o Brasil garante seu lugar na mesa de discussões da inteligência artificial global, provando que tem hardware e competência humana para liderar a próxima revolução tecnológica.

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Podicas

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