O primeiro notebook da Apple enviou o primeiro e-mail do espaço (mas foi um fracasso de vendas)
O resultado foi um computador com processador Motorola 68000 a 16 MHz, 1 MB de RAM expansível a 9 MB, SuperDrive de 1,4 MB, HD de 40 MB e duração de bateria entre 6 e 12 horas. Pesava 7,3 kg, mais de cinco vezes o peso do MacBook Neo, e tinha 10 cm de espessura. O trackball, posicionado à direita do teclado, poderia ser removido e substituído por um teclado numérico opcional, uma solução engenhosa que não salvou a ergonomia geral da máquina.
Nos testes da InfoWorld publicados em outubro de 1989o Macintosh Portable marcou 2 minutos e 25 segundos no benchmark do Excel, contra 4 minutos e 55 segundos do Mac SE padrão, o que representava desempenho duas vezes maior graças ao disco rígido interno. A tela recebeu elogios explícitos da revisão: os críticos Doug e Denise Green escreveram que “usuários de DOS vão invejar claramente como você consegue ler o texto conforme a tela rola”. A nota final foi 7,2 de 10, boa para desempenho e documentação, e “inaceitável” para suporte técnico, porque a Apple simplesmente não tinha estrutura de assistência à altura da máquina que havia construído.
eu e Registro Agradável de Ponto em julho de 1990apontou um defeito de projeto que resumia bem a contradição do Portable: a alça traseira, que deveria facilitar o transporte, era também o mecanismo de trava da tela, presa por duas finas peças de plástico. Os revendedores orientavam os clientes a nunca erguer a máquina pela alça — porque o plástico simplesmente não aguentava o peso.
Nos testes de desempenho publicados pela Macworld em novembro de 1989o Macintosh Portable se posicionou consistentemente entre o Mac SE básico e o SE / 30 topo de linha. No recálculo de planilhas no Excel, marcou 2 minutos e 31 segundos, contra 4 minutos e 41 segundos do SE comum e apenas 31 segundos do SE/30. Em tarefas gráficas no Freehand, ele completou em 19 minutos e 35 segundos, superando os 25 minutos e 35 segundos do SE. A conclusão dos editores da Macworld foi clara: “performance variada, mas útil”.

A NASA entra em cena

Em 28 de agosto de 1991, enquanto o Macintosh Portable acumulava devoluções nas prateleiras, um exemplar da máquina estava a 300 quilômetros acima da superfície da Terra, a bordo do ônibus espacial Atlantis. Os astronautas da missão STS-43 acabavam de enviar o primeiro e-mail da história enviado do espaço, usando um Macintosh Portable e o AppleLink, serviço de rede privada da Apple criado para conectar a empresa a distribuidores e parceiros antes de a internet existir como a conhecemos hoje.
A mensagem dizia: “Olá, Terra! Saudações da equipe STS-43. Este é o primeiro AppleLink do espaço. Estou me divertindo MUITO, gostaria que vocês estivessem aqui… liguem o cryo e o RCS! Até mais, baby… voltaremos!” O objetivo principal da missão era lançar um satélite de rastreamento de dados da NASA. O Macintosh Portable entrou para a história quase de passagem. O aparelho exigiu pouquíssimas modificações para operar em gravidade zero, sua construção, projetada para sobreviver às viagens dos executivos dos anos 1990, mostrou-se compatível com as exigências da órbita terrestre. Os astronautas testaram o trackball em microgravidade e chegaram a usar um mouse óptico flutuando pela cabine.
Vendas abaixo do esperado, mas um legado interessante
A Apple havia estimado vendas de 50.000 unidades no primeiro ano. Foram 10.000 no primeiro trimestre, e o ritmo não acelerou. Em 1990, sete meses após o lançamento, a empresa cortou o preço em US$ 1.000 numa tentativa de reverter a situação, sem sucesso.
O Macintosh Portable foi descontinuado em outubro de 1991, com menos de dois anos no mercado, substituído pela linha PowerBook. A tela de matriz ativa que a Sharp desenvolveu especialmente para o Portable, porém, estabeleceu o padrão de qualidade de imagem que os notebooks seguiriam por décadas, prova de que o aparelho errou no produto mas acertou na direção.
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