Polícia fecha “laboratório de armas” que usava impressão 3D em 10 estados brasileiros

Polícia fecha “laboratório de armas” que usava impressão 3D em 10 estados brasileiros


Na manhã da última quinta-feira (12), a Operação Shadowgun, conduzida em conjunto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Polícia Civil, cumpriu cinco mandados de prisão em São Paulo e outros 36 mandados de busca e apreensão distribuídos por Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Roraima e mais estados. Ao menos quatro pessoas estavam detidas até o fechamento desta reportagem.

O produto: um manual de fabricação caseira

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Segundo nota do Governo de S.Pauloo núcleo do negócio não era a venda das armas em si, mas a venda do conhecimento para produzi-las. O líder do grupo, identificado pelas autoridades como engenheiro com especialização em controle e automação,

operava encoberto por pseudônimo e máscara em vídeos, distribuindo um material didático que ensinava o processo completo: desde a configuração da impressora até a montagem e calibração do armamento final. O guia priorizava componentes de baixo custo e exigia apenas conhecimento intermediário de impressão 3D para ser executado, segundo o relatório da investigação.

Esse conteúdo circulava em redes sociais, fóruns abertos e na dark web, e vinha acompanhado de uma estrutura de suporte: havia integrantes dedicados ao atendimento técnico pós-venda, outros responsáveis pela identidade visual do grupo, pela propaganda e pela articulação ideológica — uma operação com divisão de trabalho clara, não um esquema amador.

Os números da investigação

Entre 2021 e 2022, ao menos 79 compradores fecharam negócio com a organização, todos via criptomoedas, escolha deliberada para dificultar o rastreamento financeiro. Desses, 10 estavam no Rio de Janeiro, em municípios como Araruama, São Pedro da Aldeia e Búzios. O perfil dos clientes levantou atenção dos investigadores: boa parte tinha antecedentes relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes de maior gravidade, o que coloca sobre a mesa a hipótese de que parte do arsenal clandestino produzido tenha abastecido o crime organizado — linha que as autoridades ainda investigam.

O que foi encontrado na casa do líder

O suspeito apontado como chefe foi preso em Rio das Pedras, interior de São Paulo. No local, os agentes apreenderam revólveres, pistolas e fuzis, protótipos de armas de fabricação própria, munições de múltiplos calibres, granadas, coletes e capacetes balísticos — além das impressoras 3D usadas na produção, computadores e rádios de comunicação. O conjunto de itens indica que o endereço funcionava como laboratório, depósito e central de operações ao mesmo tempo.

Os detidos respondem pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

A impressão 3D saiu dos nichos de prototipagem e do hobbyismo para aparecer em processos criminais em pelo menos três continentes na última década. O caso brasileiro segue um padrão documentado em operações nos EUA e na Europa: a tecnologia não cria o crime, mas reduz drasticamente a barreira de entrada, tanto financeira quanto logística, para produção de armas sem número de série e sem rastreabilidade balística. A Shadowgun é o maior caso desse tipo registrado no Brasil até agora em número de estados envolvidos e volume de mandados cumpridos em uma única ação.

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Podicas

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