Todo mundo mente no currículo por causa da IA, diz fundador do Infojobs
Por mais de duas décadas, enviar um currículo bem formatado era quase um ritual de passagem. Você caprichava no design, ajustava cada palavra, rezava para que o recrutador notasse seus feitos. Mas esse mundo acabou. Ou, pelo menos, está acabando rápido.
Nacho González Barros, o cara que fundou o Infojobs, declarou em entrevista ao El Confidentialque o Currículo morreu. Depois de 25 anos imerso no universo de recursos humanos, ele viu a coisa desandar. E a culpa, segundo ele, é da inteligência artificial generativa.
Todo mundo virou especialista da noite pro dia
Mentir no currículo sempre existiu. Aquele curso de duas horas que virou “capacitação avançada”, aquele projeto onde você só deu pitaco que ganhou status de “liderança estratégica”. O jogo sempre teve suas trapaças. Só que antes era preciso habilidade pra inflar sem ficar óbvio demais.
Hoje, qualquer um pode se passar por um profissional em cinco minutos. Basta copiar a descrição da vaga, jogar no ChatGPT e pedir pra ele criar um currículo sob medida. Pronto: em segundos você tem um documento impecável, cheio de palavras-chave certeiras, conquistas mensuráveis e uma narrativa que parece saída de um perfil do LinkedIn de CEO.
O problema é que isso não separa quem sabe fazer o trabalho de quem só sabe usar IA. Nas redes sociais, tem gente contando que passou meses sem ser chamada pra uma entrevista. Aí turbinou o CV com ajuda da inteligência artificial e começou a receber ligações em questão de dias. Parece milagre, mas é só tecnologia nivelando todo mundo por cima, incluindo quem não deveria estar ali.
Recrutadores afogados em currículos perfeitos demais
Pra quem contrata, virou um inferno. Antes, o currículo funcionava como um filtro grosso: dava pra eliminar quem claramente não tinha o perfil. Agora, chega uma enxurrada de candidatos que, no papel, parecem todos perfeitos. Como saber quem realmente tem experiência e quem só sabe escrever bonito?
Os times de RH estão passando horas peneirando pilhas de documentos quase idênticos, todos otimizados, todos alinhados com a vaga. E no fim, descobrem que metade das pessoas convocadas não entrega o que prometeu no papel. O currículo deixou de funcionar justamente na função mais básica: separar o joio do trigo.
González Barros não vê saída mantendo o formato tradicional. Pra ele, a solução está em virar o jogo e usar a própria IA contra a maré de mentiras automatizadas.
Entrevista feita por robô (mas sem fingir que é gente)
A resposta que ele propõe se chama Hirevoice, sua nova startup. A ideia é simples: já que a IA destruiu a confiabilidade do currículo, que ela assuma a entrevista inicial também. Mas com transparência total.
O candidato entra numa videochamada e já sabe que está falando com um sistema automatizado. Nada de voz humana fingida ou tentativa de simular empatia. A interface é direta: perguntas feitas por uma voz robótica, sem rodeios. O objetivo é avaliar, não enganar.
As perguntas não vêm do nada. Quem monta o roteiro é o time de RH da empresa, que pode ajustar cada detalhe conforme o perfil da vaga. A IA segue o script, mas vai além: pergunta novamente, aprofunda, cruza respostas. Se aparecer alguma inconsistência ou exagero, ela pega. É justamente onde o currículo falha que esse tipo de ferramenta tenta acertar.
Álvaro Monterrubio, engenheiro e cofundador da Hirevoice, resume a mudança: “Antes, só os espertos mentiam. Agora, com a IA, todo mundo mente.”
Sobra mais tempo pra avaliar o que máquina não consegue
O grande ganho não é só econômico. É organizacional. Entrevistas automáticas liberam dezenas ou centenas de horas que antes iam pra triagem básica. Em vez de gastar energia descartando gente que não tem o mínimo necessário, o RH pode focar nas etapas finais — aquelas em que o fator humano ainda faz diferença.
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