IA no trabalho: profissionais brasileiros querem treinamentos que vão além da teoria em 2026
Resumo rápido!
A prática virou prioridade. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros deseja capacitações aplicadas diretamente à rotina corporativa, enquanto habilidades como análise de dados e engenharia de prompt lideram o ranking das competências mais cobiçadas para este ano. O salto na demanda reflete a consolidação da IA como ferramenta estratégica — e os salários já acompanham essa mudança.
Domínio prático dispara como pedido número um

U levantamento da Adapta revela que 53,8% dos profissionais brasileiros querem treinamentos “mão na massa”. A palavra-chave aqui é aplicabilidade: chega de slides teóricos que não conversam com o fluxo real de trabalho. A demanda sinaliza que os times já perceberam a distância entre cursos introdutórios e a habilidade de configurar agentes, automatizar processos ou criar soluções com modelos generativos
“A busca por formações mais ‘mão na massa’ reflete a percepção de que conteúdos excessivamente teóricos já não acompanham a velocidade das transformações no ambiente corporativo — e, mais do que isso, não preparam os times para lidar com agentes, automações e ferramentas que exigem experimentação contínua”explica Eduardo Coelho, Head de Marketing da Adapta.
As habilidades que o mercado vai cobrar

O ranking das competências que estarão no radar dos brasileiros em 2026 mostra movimentos claros: análise de dados com IA lidera com 44,6%, seguida pela engenharia de prompt (43%), visão estratégica para orientar equipes no uso de IA (41,6%) e domínio de ferramentas específicas de IA (52%). Esses números confirmam uma virada de maturidade — não basta mais “saber usar ChatGPT”, o mercado espera profissionais que entendam como a IA se conecta aos objetivos e resultados do negócio.
O contexto financeiro reforça o incentivo: segundo dados da Lightcast divulgados pela Fast Company, vagas que exigem ao menos uma habilidade em IA pagam, em média, 28% a mais do que as demais. Quando o profissional domina duas competências, o aumento salarial pode chegar a 43%. No Brasil, cargos como engenheiro de IA já oferecem salários entre R$ 8 mil e R$ 32 mil mensais, dependendo da senioridade.
O que aconteceu com os treinamentos em 2025
Mesmo com 37,2% dos profissionais recebendo capacitações frequentes em 2025, os problemas estruturais ficaram evidentes. O maior obstáculo citado foi o excesso de teoria (27,6%), seguido por conteúdo superficial (23,4%) e falta de orientação pós-curso (23,4%). Outros pontos críticos incluíram carga horária insuficiente para prática (22,4%), abordagens genéricas sem relação com a área de atuação (14,6%) e cursos desatualizados que não acompanharam a evolução dos modelos generativos (13,6%)
“Em um cenário no qual o básico parece já estar sendo feito, as empresas precisarão investir em experiências hands-on daqui para frente, capazes de acelerar a autonomia e a experimentação dentro das equipes”comenta Coelho
Maturidade real: quem já usa IA no Brasil
A pesquisa também mapeou o grau de autonomia dos profissionais com agentes de IA — e os números impressionam. Apenas 7,4% afirmaram não utilizar agentes no trabalho. Do restante, 34,6% configuram agentes para tarefas específicas da área, enquanto 28,4% já combinam diferentes agentes ou desenvolvem soluções próprias nas empresas. Quando somados, 63% dos trabalhadores brasileiros operam agentes em níveis intermediários ou avançados
A liderança também está acompanhando a tendência: 71,6% dos respondentes avaliam que seus gestores diretos possuem conhecimento intermediário ou avançado em IA, integrando diferentes tecnologias nas rotinas e tomando decisões com apoio de modelos generativos. O dado indica que a adoção deixou de ser apenas individual e começa a se consolidar na camada estratégica das organizações.
| Habilidade em IA | % de Interesse para 2026 |
|---|---|
| Uso de ferramentas específicas de IA | 52,0% |
| Análise de dados com IA | 44,6% |
| Engenharia de prompt | 43,0% |
| Visão estratégica e liderança ligada à IA | 41,6% |
| Criação e otimização de agentes de IA | 41,2% |
| Ética, riscos e conformidade (uso seguro da IA) | 33,8% |
Metodologia do estudo
O levantamento entrevistou 500 brasileiros adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões do país e conectados à internet. O índice de confiabilidade é de 95%, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais. Os respondentes tiveram acesso a oito questões que exploravam conhecimentos sobre inteligência artificial, impacto de ferramentas e agentes no dia a dia corporativo, além de expectativas para cursos e treinamentos em 2026.
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