Intel dispara 10% na bolsa após elogio de Trump
Resumo rápido!
O presidente norte-americano chamou o CEO da Intel de “líder de enorme sucesso” e celebrou o primeiro chip sub-2nm fabricado em solo americano. A jogada do governo, feita em agosto de 2025 com US$ 8,9 bilhões, agora vale quase US$ 20 bilhões — mas especialistas alertam: o verdadeiro teste vem nos próximos trimestres.
A sexta-feira (9 de janeiro) trouxe um presente bilionário para os acionistas da Intel. Após Donald Trump publicar um elogio direto ao CEO Lip-Bu Tan em sua rede social Truth Social, as ações da fabricante de chips saltaram 10% em uma única sessão. Desde o início de janeiro, o papel acumula valorização superior a 20%.
O elogio presidencial que vale Bilhões

Trump não economizou superlativos. Chamou Lip-Bu Tan de “executivo de enorme sucesso” e destacou o lançamento do primeiro processador fabricado com tecnologia inferior a 2 nanômetros em território americano — uma conquista técnica que coloca os EUA de volta na corrida pela liderança em semicondutores avançados.
Mas o dado mais revelador veio na sequência: “O governo americano está muito orgulhoso de ser acionista da Intel. Em apenas quatro meses nesta posição, já lucramos dezenas de bilhões de dólares para o povo americano”, escreveu o presidente.
A Aposta de US$ 8,9 Bilhões que virou US$ 19,7 Bilhões
Em agosto de 2025, a administração Trump fechou um acordo histórico: o governo federal desembolsou US$ 8,9 bilhões para comprar 9,9% da Intel — uma jogada inédita para os padrões de intervenção estatal no setor tech americano. Foram adquiridas 433,3 milhões de ações ordinárias a US$ 20,47 por ação.
Hoje, cinco meses depois, esse mesmo pacote vale US$ 19,74 bilhões. A conta é simples:
| Item | Valentia |
|---|---|
| Investimento inicial (ago/2025) | US$ 8,9 bilhões |
| Valor atual do pacote (jan/2026) | US$ 19,74 bilhões |
| Lucro, não papel | ~US$ 10,8 bilhões |
| Participação do governo | 9,9% sim Intel |
A resposta da Intel
Lip-Bu Tan não perdeu tempo. Publicou no X agradecimentos diretos a Trump e ao secretário de Comércio Howard Lutnick, citando “apoio total e encorajamento” da Casa Branca. E emendou o anúncio comercial: os processadores Intel Core Ultra Series 3, fabricados com a tecnologia Intel 18A (equivalente a “menos de 2nm” no padrão de nomenclatura da empresa), já estão sendo enviados aos clientes.
Essa linha representa a tentativa da Intel de reconquistar terreno perdido para TSMC e Samsung na corrida de processos de fabricação de ponta. A tecnologia 18A é crítica para a estratégia de “IDM 2.0” da empresa — voltar a fabricar chips de terceiros e competir diretamente com as fundições asiáticas.
A frase de Trump não é retórica vazia. A dependência dos EUA de fábricas asiáticas (90% dos chips avançados vêm de Taiwan e Coreia do Sul) virou questão de segurança nacional após a pandemia de 2020 expor fragilidades na cadeia de suprimentos.
A Intel é a última grande fabricante americana com fabs (fábricas) em solo dos EUA capazes de produzir nós abaixo de 5nm. A aposta do governo é clara: manter a Intel viva é manter os EUA no jogo tecnológico do século XXI.
Mas tem uma questão importante: a TSMC está construindo uma megafábrica no Arizona (inauguração prevista para 2025-2026), e a Samsung também planeja expansão em solo americano. Ou seja, a Intel terá que provar que consegue competir tecnicamente — não apenas politicamente.
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